
II Festival Cine DEBURU do Distrito Federal
Curadoria: Edileuza Penha de Souza e Antonio Balbino
O II Festival Cine DEBURU do Distrito Federal celebra o cinema como espaço de reza, memória e reexistência. Atravessando corpos, territórios e temporalidades, as obras desta edição evocam a força da ancestralidade negra e indígena, onde o gesto de filmar é também gesto de cura, resistência e celebração da vida. O festival convida o público a mergulhar em um cinema que nasce da terra, da água e do afeto, onde cada filme é um chamado ao encantamento e à escuta dos saberes ancestrais.
Cada sessão é um rito de passagem, um convite a atravessar águas, ventos e folhas; a reconhecer o corpo como arquivo e o território como extensão da memória. O festival propõe um olhar que se afasta da lógica colonial e eurocêntrica, aproximando-se dos modos de ver e sentir que brotam das margens, lugares onde a arte é também ferramenta de sobrevivência, comunhão e reinvenção do mundo.
O Cine DEBURU reafirma o cinema como campo de afeto, espiritualidade e continuidade. Através de narrativas plurais, revelam-se as dimensões do sagrado, da natureza e das relações humanas que sustentam os modos de viver das comunidades negras e indígenas. Nesta travessia, filmar torna-se um canto, um sopro de axé, um chamado para ouvir o que o vento, a água e a terra têm a dizer.
Assim, o festival renova seu compromisso com o cinema que pulsa da base, que nasce dos sagrados, dos terreiros, das aldeias, dos quilombos, das periferias e dos templos. Um cinema que não apenas representa, mas reencanta o mundo, abrindo caminhos para que outras histórias, corpos e futuros possam existir em plenitude e liberdade.
Mostra I - Entre Rezas e Águas: Corpos e territórios sagrados
No dia 14 de novembro, o Festival Cine Deburu apresenta a Mostra I - Entre Rezas e Águas: Corpos e territórios sagrados. Esta sessão abre o caminho evocando as forças do sagrado e do pertencimento. As imagens emergem como oferendas, revelando corpos em comunhão com a natureza e territórios marcados pela fé, pela dança e pela força do axé. Cada filme é um rio que guarda memórias, que reza, que move e que cura.
Filmes Selecionados:
🔸 Boca de Tudo - @ofadodun
🔸 Rezadeira - @matilhafilmes
🔸 O Sagrado que dança - @laboratoriodecriar.art
🔸 Ilê Odé Axé Opô Inle - @ileodeaxeopoinle axeopoinle
🔸 A Casa de Todas as Águas - @quaritere e @aselominosa
Mostra II - Entre Pentes e Marés: Um oceano de afetos
No dia 15 de novembro, o Festival Cine Deburu apresenta a Mostra II - Entre Pentes e Marés: Um oceano de afetos. Aqui, o amor e o cuidado moldam as narrativas. Entre gestos cotidianos e travessias simbólicas, as obras mergulham nas águas do afeto, do feminino e da ancestralidade. Os filmes convidam a escutar o som do mar e do coração, espaços onde o amor se reconhece como força política e poética.
Filmes Selecionados:
🔸 O Pente
🔸 A linguagem do meu amor é uma linguagem oceânica: carta aberta para minha filha Alice Imperatriz
🔸 Mergulhar - @aruyafilmes
🔸 Amaná - @cinemainstantaneo
🔸 Axé meu amor - @axemeuamorfilme
Mostra III - Entre Ervas e Céus – As folhas que curam o mundo
No dia 16 de novembro, apresentamos a Mostra III - Entre Ervas e Céus – As folhas que curam o mundo. Encerrando o ciclo, a terceira sessão reverencia o poder da terra e o saber das folhas. O cinema torna-se território de cura, onde a espiritualidade se entrelaça às memórias e aos rituais. Entre ervas, rezas e ventos, brota a sabedoria ancestral que sustenta o mundo e renova o axé da existência.
Filmes Selecionados:
🔸 Sem Erva Não Há Orixá - https://boxd.it/XG7q
🔸 EWE - Saber Popular, Conhecimento Sagrado - @ewe.saberes
🔸 O Céu Não Sabe Meu Nome - @oceunaosabemeunome
🔸 Yaya Zumba - @lanterninhaprodutora
🔸 Acupe - @pedeereproducao
Filmes premiados
A segunda edição do festival distribuiu 3 mil reais em prêmios. Os curtas premiados foram:
🔸Melhor Filme pelo Júri Popular: Ilê Odé Axé Opô Inle
🔸Melhor Filme de Não Ficção: A casa de todas as águas
🔸Melhor Filme de Ficção: O Céu Não Sabe Meu Nome
